As Mulheres e a Tecnologia

Sabemos que o dia delas é todo dia. Mas, dia 8 de março em especial, é uma data para lembrar do quão importante é a presença delas em nossas vidas.

Elas são mães, são profissionais e guerreiras. Mesmo assim, ainda vivemos em um mundo machista e principalmente no que se refere à tecnologia, elas ainda têm uma grande luta pela frente…

Segundo a pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), dos 580 mil profissionais de TI que atuam no Brasil, apenas 20% são mulheres. Cenário que se repete internacionalmente…. Em gigantes como o Google, a Apple ou o Twitter, apenas 30% dos colaboradores são do sexo feminino.

 

Mas, por que ainda falta representatividade no setor?

Com toda a certeza, não é porque são incapazes. Mas, infelizmente, a questão cultural ainda é muito forte e recai para que áreas como tecnologia ou engenharia acabem sendo preferidas por meninos.

Estudos indicam que a preferência por uma profissão ou outra não é mera tendência da natureza humana. Meninos não nascem com mais pretensão para programar do que meninas, mas isso se deve a sua criação. Desde pequenas, meninas são ensinadas a brincar com bonecas, e aprendem que devem se tornar princesas. Já meninos são educados com videogames, lego, carrinhos e jogos de computador.

O resultado é que eles acabam conhecendo a tecnologia desde cedo, enquanto elas, para que trabalhem com tecnologia, devem escolher a profissão por si próprias. Uma pesquisa do “The Journal” afirma que dois terços das crianças do primário têm interesse em ciência, tecnologia, matemática e engenharia. No entanto, à medida que entram no ensino médio, a porcentagem de meninas interessadas cai drasticamente.

Na realidade, como a maioria dos grandes nomes da tecnologia são homens e esse campo é tradicionalmente masculino, mesmo sem perceber, as mulheres acabam se afastando da área. Segundo o PNAD, 79% das meninas que entram em faculdades de tecnologia acabam desistindo do curso logo no primeiro ano.

Além disso, o livro Unlocking the Clubhouse relata que metade das famílias americanas coloca o computador no quarto do filho. Essa mensagem (de que o computador ficaria no quarto dos meninos) começou a ser propagada nos anos 80. Não por coincidência, essa época também demostra um alto declínio do interesse feminino em cursos de tecnologia.

 

E como aumentar a representatividade feminina no ambiente tecnológico?

Essa é uma questão gradativa e coletiva. Atualmente, a educação das meninas, que acaba as afastando da tecnologia, é tão normal que ninguém percebe. Mas, a iniciativa para mudar a falta de representatividade feminina em determinados setores não deve vir apenas delas.

Primeiro, os pais devem incentivar a criança a brincar com outras coisas do interesse dela. Para os profissionais que já atuam na área, as mulheres devem servir como exemplos e os homens podem ajudar na luta contra o machismo ou ofensas no local de trabalho.

É preciso entender que essa atitude será boa para todos. Ao diversificar um setor, diferentes olhares sobre determinado assunto podem ser apurados. E assim, a integração de mais mulheres no campo conduzirá naturalmente a uma compreensão mais assertiva do mercado do consumidor.

Segundo o site Code.org, empregos na área de computação irão mais do que dobrar até 2020, para 1,4 milhão de vagas. Se hoje já vivemos em uma escassez desses profissionais, imagina daqui a alguns anos….

Precisamos conversar. Já passou da hora do preconceito e da discriminação. Antes de pensar em como incluir as mulheres na tecnologia, devemos pensar em como não excluí-las.

 

Para não perder a esperança

Mesmo quando os números indicam a pouca representatividade na área, algumas mulheres fizeram história no setor da tecnologia e merecem ser destacadas…

Ada Lovelace

Ela foi a primeira programadora da história e desenvolveu uma máquina de cálculo que posteriormente foi reconhecida como o primeiro modelo de computador. Para o seu azar, com a precariedade da época, Lovelace não pôde contar com os equipamentos necessários para comprovar seus estudos. Mas, seu algoritmo foi provado e utilizado após seu falecimento.

Grace Hopper

Ela foi a analista de sistema da Marinha dos Estados Unidos e a primeira mulher a se formar em PhD. Foi Hopper quem desenvolveu a linguagem que serviu como base para o COBOL. Há quem diga que se deve a ela a utilização do termo “bug” para designar uma falha em um código-fonte. Definitivamente, Grace Hopper foi uma mulher à frente do seu tempo.

Sheryl Sandberg

Ela é a atual Chefe Operacional do Facebook e Ex-Chefe de Operações Online do Google. Em 2012, Sandberg foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Times. Além de ser um exemplo no mundo da tecnologia, ela é autora do livro “Faça Acontecer”, que fala sobre o empoderamento feminino no setor.

 

Outros exemplos são elas que, saem todo o dia de casa com muita garra. Enfrentam ambientes dominados por homens com a mesma destreza e a diferença de se encontrarem em um mundo machista. Hoje, é o dia da mulher. Mas, mais do que parabenizá-las, devemos agradecê-las. Agradecê-las porque com elas, todos só temos a ganhar.

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