Internacionalização: como criar times globais

Internacionalização: como criar times globais

Saiba quais os desafios e as habilidades necessárias em times internacionais

A Internacionalização trata do processo de estabelecer relações de negócios além do país original da empresa. Durante o 3º Meetup de Inovação CINQ, discutimos a temática de como criar Times Globais, ou seja, como empresas que trabalham com Internacionalização preparam suas equipes para este desafio. Para compor este painel, contamos com Aldir Brandão – CTO e Sócio na CINQ; Daniel Lange – Innovation Team Leader na Bosch; Paula Sampaio – Business Development Representative no Pipefy; Beryk Salab – HR Business Partner no EBANX e Antonella Satyro – Safety and Risk IT Supervisor na ExxonMobil, como mediadora.

Na CINQ, destacamos três pontos importantes para a nossa internacionalização: vontade e determinação para atuar em um novo mercado; compreender a cultura e se adaptar à mesma e o contato pessoal. Aldir comentou sobre a internacionalização de times, que consiste em participar de um ecossistema maior do que o nosso local de origem. “Fazemos projetos internacionais desde 2013 e não existe uma receita para fazer projetos em múltiplos locais, contratar estrangeiros e lidar com diferentes culturas. Acabamos fazendo parte de um contexto maior, de clientes e parceiros do exterior”. Aldir indicou o livro o mundo é plano, que fala sobre como a tecnologia uniu as pessoas nesse contexto de globalização.

O Ebanx tem o propósito de dar acesso a outros países e fazer o mundo olhar para a América Latina. A empresa já nasceu internacional, ao se tratar de uma fintech de processamento de pagamentos internacionais, como comentou Beryk. Foi como começou, mas realmente internacionalizou há menos de um ano – o orgulho de ser brasileiro os tornava muito fechados para conhecerem outras culturas e aprender com elas.
Hoje as pessoas que são de fora têm voz e a empresa é aberta à internacionalização para aprender com outros países e culturas. O Ebanx é uma empresa global e teve que se abrir para isso. Beryk explica: internacionalização é quando a empresa consegue ver de verdade como fazer diferente, ver admiração nas novas formas de fazer.

A Bosch, por sua vez, é uma empresa global, está presente em mais de 100 países, o que faz com que tudo seja muito internacional, isso faz parte do DNA da organização. Daniel Lange fala sobre a preocupação da Bosch em ter essa presença global e como a empresa valoriza o desenvolvimento das regiões em que atua – não pelo baixo custo, mas para desenvolver competências e criar novos negócios nas regiões. Daniel comenta que podemos e devemos pensar globalmente, estar presente em mercados do mundo todo, pois tudo está muito mais próximo com a internet e tecnologias.

A Pipefy é uma Startup curitibana, mas considerada “born global”, inclusive está registrada como uma empresa norte americana, porém gostam de se marcar como originários de Curitiba. Paula Sampaio explica que “internacionalização representa troca, seja econômica, política ou cultural entre nações para que aconteça um benefício e que gere alguma vantagem competitiva – quando trazemos isso para o time, temos trocas culturais, de ideias, de formas novas de fazer coisas, de comunicação entre diferentes culturas e países”.

Aldir comentou sobre a importância de eliminar as fronteiras, para conseguirmos evoluir, pois é preciso entender cada uma das culturas que estão envolvidas. É importante compreender como a diversidade reflete na comunicação e nos processos para termos resultados melhores e proporcionarmos relacionamentos de longo prazo. Daniel acrescentou sobre como construir relacionamentos sempre proporcionarão ganhos, desenvolvê-los auxilia nos projetos ao criar empatia e reduzir conflitos. E Paula complementou falando sobre a diferença de conversas que não sejam simplesmente sobre trabalho, estas ajudam a conhecer as pessoas, agregam e ajudam a engajar o time.

 

Os maiores desafios em times globais apontados foram:

  • Adaptação a culturas diferentes.
  • Ter uma comunicação clara – o que é extremamente importante, como a comunicação nesses times normalmente é digital ou por telefone, se trata de uma barreira física somada às dificuldades da cultura e é preciso saber como lidar com ela.
  • Construir o relacionamento do zero – não podemos assumir que os outros estão no mesmo nível de conhecimentos gerais (empresa, projeto, contexto), para isso é preciso criar estratégias para equalizar as equipes.
  • Complexo de inferioridade – precisamos sair da capa de defensiva, de achar que todos nos acham ruins, mas também é preciso uma desconstrução de quem é de fora de achar que está sempre certo. Todos podemos estar certos e errados e estamos em constante aprendizado.
  • Etnocentrismo – tendência em achar que a própria cultura é a certa e tentar impô-la sob outro time. Tudo começa com respeito, sim somos diferentes e não tem como padronizarmos uma cultura, precisamos promover o respeito no time e depois podemos aprender.

 

Quais as habilidades necessárias para um time altamente eficaz e global:

  • Equilíbrio de habilidades técnicas elevadas, soft skills e fluência da língua em questão (ou inglês, que é o padrão internacional).
  • Habilidade de assumir boa intenção.
  • Inteligência Emocional – é preciso saber separar as coisas, reconhecer os fatores culturais e não levar para o pessoal.
  • Adotar padrão de comportamento de outras equipes – se colocar no lugar do outro, conhecer outras culturas, isso facilita a comunicação do time.
  • Ter engajamento com o time – como já comentado, não ser só sobre trabalho para se sentir parte do time.
  • Lideranças – possuem um papel fundamental de ponte entre as culturas para fazer com que as equipes se deem bem. Precisam ter um engajamento, sentir que fazem parte.

Para finalizar, Antonella apresentou as Soft Skills para 2020 apresentadas pela Word Economic Forum: resolução de problemas, pensamento crítico e analítico, criatividade, gerenciamento de pessoas, saber coordenar, inteligência emocional, decisão estratégica, mentalidade para o serviço, negociação e flexibilidade cognitiva (adaptabilidade).

 

– Por Thaís Prado – Comunicação e Marketing na CINQ

 

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