Mulheres na Tecnologia e o mindset de crescimento!

Mulheres na Tecnologia e o mindset de crescimento!

As barreiras existem, mas muitas vezes são reforçadas pelo nosso mindset fixo. Como podemos superar isso?

Durante os dias 21 e 22 de agosto aconteceu o My Inova Summit 2019, organizado pela Assespro e Assespro-Pr, o evento contou com duas trilhas principais Business Agility e Women in Technology. A gerente de desenvolvimento organizacional aqui da CINQ, Bárbara Ritzmann, participou de um painel sobre o papel da mulher na tecnologia e compartilhou mais da sua fala neste artigo.

CINQ Technologies no My Inova

Se fizermos um passeio na história, encontraremos grandes mulheres que impactaram o setor de tecnologia, como por exemplo Ada Lovelace, Grace Hopper e Dorothy Vaughan. Essas personalidades, hoje amplamente conhecidas, levaram anos para terem suas atuações exaltadas. A demora para dar crédito ao trabalho dessas grandes mulheres pode estar relacionada a diversos fatores, mas de alguma forma sempre esbarram no desafio de vencer preconceitos que estão talhados em nossa sociedade. Como por exemplo, a ideia distorcida que existem trabalhos destinados apenas a homens ou apenas a mulheres, ou ainda pior, que um gênero é superior ao outro em alguma atividade por qualquer que seja o motivo.

Olhando pontualmente para o setor de tecnologia, as mulheres em especial precisam vencer as barreiras que fazem parte da “mentalidade padrão” da sociedade, que por muitos anos criou a ideia de que meninas não são boas em ciências exatas. E infelizmente este não é um pensamento padrão apenas na cabeça de alguns homens, muitas mulheres acreditam nesta inverdade e reforçam estas crenças.

A pesquisadora da Columbia University, Carol Dweck, em seu livro Mindset, apresenta duas formas de pensamentos chamados: mindset fixo e mindset de crescimento, e no capítulo destinado ao estudo sobre aptidões e realizações, faz um relato muito interessante sobre os rótulos negativos aplicados a mulheres e o impacto disso em setores como matemática, ciência e tecnologia. Segundo Dweck, o mindset fixo promove a ideia que as pessoas têm uma quantidade de conhecimento limitado, não podem expandir suas habilidades e reforça o estereótipo que mulheres não seriam boas nas áreas citadas acima; somado a importância que muitas mulheres dão as avaliações de outras pessoas sobre elas, afetam o seu desempenho diretamente e aumentam o abismo entre a quantidade de mulheres e homens atuando nessas áreas.

Em contraponto, pessoas que aplicam o mindset de crescimento, mesmo que alvos de rótulos negativos, acreditam que podem superar desafios, sua quantidade de conhecimento pode sempre se expandir, e não se prendem a pensamentos limitadores e à opinião de outras pessoas sobre elas, estão prontas para vencer as barreiras impostas e seguir em frente para alcançar o que desejam. Felizmente o mindset fixo e crenças que mulheres não podem atuar em TI vêm sendo amplamente combatidas e campanhas como “lugar de mulher é onde ela quiser” têm promovido o sentimento que sim, é possível que uma mulher ocupe lugares de destaque em profissões que eram majoritariamente encaradas como masculinas, e na tecnologia isso não é diferente.

Compondo as iniciativas que ganham cada vez mais espaço existem projetos incríveis como Tech Ladies, PrograMaria, Girls 4 Tech, Emíli@s – Armação em Bits e muitos outros, que têm o propósito de ampliar o número de mulheres com acesso a conhecimentos de TI, trabalhando em prol de um ambiente mais homogêneo para o setor. Apesar de ser ainda um longo caminho, e existir um número muito maior de profissionais homens do que mulheres no mercado de TI, todos têm a ganhar com este investimento, considerando que a escassez de profissionais é enorme e quanto mais profissionais puderem ingressar na área melhor.

Compreendendo este cenário difícil de equilibrar em relação à necessidade de aumentar a representatividade de mulheres em empresas de tecnologia versus a menor quantidade de profissionais atuantes na área, se faz necessário que as empresas e a sociedade deem um passo atrás e busquem trabalhar em um mindset de crescimento na base, buscando aumentar primeiramente o número de mulheres interessadas em ingressar no setor. Ou seja, se o ambiente que você atua tiver a oportunidade de incentivar meninas desde muito novas a ingressarem na área, ou promover projetos de inclusão e equidade que trabalham temas como respeito e a abertura de oportunidades iguais, já daremos um importante passo em direção ao aumento de mulheres atuando em TI.

Além disso, alguns pontos relevantes para pensar são: quais as grandes mulheres que já trabalham com você hoje e merecem reconhecimento pelo que têm feito? Será que elas terão que esperar anos para terem seus resultados reconhecidos como foi com a Ada Lovelace ou com a Dorothy Vaughan? Espero muito que não!

Bárbara Ritzmann fala sobre Women in Technology no My Inova

Por Bárbara Ritzmann, Gerente de Desenvolvimento Organizacional na CINQ Technologies.

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