Você tem conversado com seu smartphone?

Você tem conversado com seu smartphone?

O cérebro humano consome muita energia e por isto ele, quando pode, poupa o que puder. Alguns chamariam isto de preguiça, mas é uma questão de otimização mesmo. Assim preferimos usar o Waze e Google Maps do que pensar no caminho a fazer. Preferimos teclar no WhatsApp a falar por voz numa ligação telefônica. Uma falecida tia proibia o marido de usar o GPS para que ele não ficasse caduco. De certa forma, em sua simplicidade ela tinha uma certa sabedoria. 

Voltando a questão do uso da voz, temos uma tendência maior a teclar do que falar. Não é incomum perceber colegas que trabalham muito próximos preferirem usar o Skype ou outras ferramentas para conversarem. No entanto, ao mesmo tempo que a tecnologia contribui para atrofiar a comunicação por voz, ela mesma está resgatando a fala em outros cenários. 

Eu admito que tenho timidez em falar com dispositivos que reconhecem e aceitam comandos por voz: Cortana, Google Assistant, Alexa, Siri, Bixby entre tantos outros. Tenho esta timidez principalmente na presença de outras pessoas. Quando estou sozinho procuro treinar bastante comandos com o Google Home, Cortana, Alexa e Bixby principalmente. Cada um tem seus pontos fortes e fracos. Por exemplo, o Bixby é mais bem integrado com o hardware do smartphone. Assim, eu consigo ligar/desligar Wi-Fi, Bluetooth, flash, tela de bloqueio, aumentar/diminuir volume de áudio, fechar todos aplicativos, otimizar o smartphone apenas utilizando comandos de voz: Hey Bixby, close all apps! Hey Bixby, optimize the phone! 

Enquanto o Bixby e a Siri são mais bem integrados ao hardware, o Google Assistant é melhor em questões de conteúdo ou soluções do Google: Waze, Maps, fotos, etc. Assim, muitas vezes eu combino o uso de mais de um assistente.  Assim eu desbloqueio por voz usando o Bixby e ativo outros comandos pelo Google Assistant: Hey Bixby, unlock the phone! Ok Google, navegar para a CINQ! 

Notem que algumas soluções ainda não estão preparadas para o idioma português, então falar em inglês é necessário. Além disso, não dá pra fazer pausas um pouco longas ou gaguejar, pois os comandos não são compreendidos corretamente.  Isto causa frustração e talvez explique a timidez na conversa com máquinas. 

Dirigir e teclar é algo extremamente perigoso e causa de muitos acidentes com mortes, o que tem causado grandes campanhas educativas ao redor do mundo. Uma alternativa viável, mas que ainda exige bastante cuidado, é a comunicação por voz com o smartphone seja para fazer uma ligação, para indicar um endereço ao app de GPS ou para tocar uma música no Spotify. Os comandos por voz ao volante diminuem os riscos e facilitam a operação do smartphone, mas os cuidados e a responsabilidade ao dirigir são prioritários e merecem sempre nossa concentração. 

Tenho praticado minha fluência em conversas com estes assistentes de voz diariamente para desenvolver estes novos skills. Já estão ativos vários sistemas de call centers com atendimento automatizado e cada vez serão mais comuns. Não adianta ficarmos reclamando e lutar contra esta tendência, por isto o treino e este novo aprendizado é fundamental. 

Por Carlos Alberto Jayme

Fechar Menu